Se você busca investimentos de renda fixa com rendimentos superiores ao Tesouro Direto e isentos de Imposto de Renda, os CRIs e CRAs são opções que merecem atenção. Esses títulos financiam os setores imobiliário e do agronegócio brasileiro e podem ser peças importantes em uma estratégia de renda passiva. Vamos entender tudo sobre eles.

O Que São CRI e CRA?

CRI — Certificado de Recebíveis Imobiliários

O CRI é um título de renda fixa lastreado em créditos imobiliários. Quando você compra um CRI, está basicamente emprestando dinheiro para financiar operações do setor imobiliário — construção de imóveis, financiamento habitacional, aluguéis comerciais, etc.

Exemplo prático: Uma construtora tem R$ 50 milhões em contratos de financiamento imobiliário a receber nos próximos 10 anos. Ela vende esses créditos a uma securitizadora, que transforma em CRIs e oferece aos investidores. Você compra o CRI e recebe os juros ao longo do tempo.

CRA — Certificado de Recebíveis do Agronegócio

O CRA funciona da mesma forma, mas lastreado em créditos do agronegócio. Financia produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e operações ligadas à cadeia do agro brasileiro.

Exemplo prático: Uma cooperativa de soja tem R$ 30 milhões em vendas futuras contratadas. Esses recebíveis são transformados em CRAs, que financiam a próxima safra. Você investe e recebe juros.

Quem Emite?

CRIs e CRAs são emitidos por securitizadoras — empresas autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que "empacotam" os recebíveis e os transformam em títulos negociáveis.

Importante: diferentemente de CDBs e LCIs/LCAs, CRIs e CRAs não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O risco é do emissor e dos créditos que lastreiam o título.

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Como Funcionam na Prática

Rendimento

CRIs e CRAs podem ter rendimento:

Pré-fixado: taxa definida no momento da compra (ex: 12% ao ano)

Pós-fixado: atrelado ao CDI (ex: CDI + 2% ao ano) ou ao IPCA (ex: IPCA + 7% ao ano)

Os títulos indexados ao IPCA são os mais populares, pois protegem contra a inflação e garantem ganho real.

Pagamento de Juros

Os pagamentos podem ser:

  • Bullet: todo o rendimento + principal pago no vencimento (mais risco, maior taxa)
  • Semestral: juros pagos a cada 6 meses + principal no vencimento
  • Mensal: juros pagos todo mês (ideal para quem busca renda recorrente)

Para quem quer viver de renda, CRIs e CRAs com pagamento mensal são especialmente interessantes. Nosso guia sobre como montar uma carteira de renda passiva explica como encaixar esses títulos na estratégia.

Prazos

Os prazos variam muito:

PrazoFaixa típicaPerfil
Curto1-3 anosConservador
Médio3-7 anosModerado
Longo7-15 anosArrojado

Prazos mais longos geralmente oferecem taxas mais atrativas, mas exigem disposição para manter o investimento até o vencimento.

A Grande Vantagem: Isenção de IR

O principal atrativo dos CRIs e CRAs é a isenção total de Imposto de Renda para pessoas físicas. Enquanto CDBs, Tesouro Direto e fundos de renda fixa pagam de 15% a 22,5% de IR, nos CRIs e CRAs você recebe 100% do rendimento.

Comparação real (investindo R$ 100.000 por 3 anos):

InvestimentoTaxa brutaIRRendimento líquido
CDB13% a.a.15%R$ 33.215
Tesouro IPCA+IPCA + 6%15%~R$ 30.600
CRI/CRAIPCA + 7%0%~R$ 37.800

A isenção de IR faz uma diferença significativa no retorno final, especialmente em investimentos de longo prazo onde o efeito dos juros compostos é maior.

Para comparar com outras opções isentas, confira nosso artigo sobre como viver de dividendos no Brasil.

Riscos dos CRIs e CRAs

1. Risco de Crédito

O maior risco é o devedor dos recebíveis não pagar. Se a construtora (CRI) ou o produtor rural (CRA) der calote, o investidor pode não receber.

Mitigadores:

  • Garantias reais (imóveis, terras, estoques)
  • Subordinação (tranches júnior absorvem perdas primeiro)
  • Coobrigação do cedente
  • Rating de agências de classificação de risco

2. Risco de Liquidez

CRIs e CRAs não têm mercado secundário muito líquido. Se precisar vender antes do vencimento, pode ser difícil encontrar comprador ou ter que aceitar desconto no preço.

Regra: só invista em CRI/CRA dinheiro que não vai precisar antes do vencimento.

3. Sem Cobertura do FGC

Diferente de CDBs, LCIs e LCAs (cobertos até R$ 250.000 pelo FGC), CRIs e CRAs não têm essa proteção. Se a securitizadora quebrar e os recebíveis falharem, o investidor pode perder capital.

4. Risco de Pré-pagamento

Em alguns CRIs, o devedor pode quitar a dívida antecipadamente, devolvendo seu capital antes do esperado. Isso pode ser ruim se as taxas do mercado estiverem mais baixas na época do pré-pagamento, forçando você a reinvestir a taxas menores.

Como Escolher Bons CRIs e CRAs

1. Analise o Rating

Agências como S&P, Moody's e Fitch avaliam o risco dos títulos:

  • AAA a AA: baixo risco, taxas menores
  • A a BBB: risco moderado, taxas intermediárias
  • BB e abaixo: alto risco, taxas atrativas mas perigosas

Para investidores conservadores, fique com ratings A ou superiores.

2. Verifique as Garantias

Bons CRIs e CRAs têm múltiplas camadas de garantia:

  • Alienação fiduciária de imóveis (CRI) ou terras (CRA)
  • Cessão fiduciária de recebíveis
  • Aval pessoal dos sócios da empresa devedora
  • Fundo de reserva que cobre meses de inadimplência

3. Conheça o Devedor

Pesquise a empresa que está por trás dos recebíveis:

  • Histórico no setor
  • Saúde financeira
  • Existência de processos judiciais
  • Concentração de devedores (muitos pequenos é melhor que um grande)

4. Avalie a Relação Risco-Retorno

Compare a taxa oferecida com títulos públicos (Tesouro IPCA+):

  • CRI/CRA oferecendo IPCA + 2pp acima do Tesouro? Risco adicional razoável
  • CRI/CRA oferecendo IPCA + 5pp acima? Risco alto — investigue profundamente

Onde Investir em CRIs e CRAs

CRIs e CRAs são disponibilizados por corretoras de valores. As principais plataformas:

  • XP Investimentos: maior variedade, mínimo a partir de R$ 1.000
  • BTG Pactual Digital: boa seleção, análises detalhadas
  • Inter Invest: opções acessíveis, mínimo de R$ 1.000
  • Ativa Investimentos: foco em renda fixa, bom atendimento
  • Rico/Genial: plataformas com interface amigável

O investimento mínimo varia de R$ 1.000 a R$ 50.000, dependendo da emissão. Para quem tem menos capital, os fundos de CRI/CRA são uma alternativa — investem em uma cesta diversificada de títulos com aportes a partir de R$ 100.

CRI/CRA vs Outros Investimentos de Renda Fixa

CritérioCRI/CRALCI/LCACDBTesouro Direto
IRIsentoIsento15-22,5%15-22,5%
FGCNãoSimSimNão (risco soberano)
LiquidezBaixaMédiaAltaAlta
RentabilidadeAltaMédiaMédiaMédia
RiscoMédio-altoBaixoBaixoBaixíssimo
MínimoR$ 1.000+R$ 500+R$ 100+R$ 30+

Para uma estratégia de renda passiva diversificada, CRIs e CRAs complementam fundos imobiliários e ações de dividendos. Nosso artigo sobre ETFs de dividendos como estratégia de renda passiva mostra outra peça desse quebra-cabeça.

Quanto Alocar em CRIs e CRAs

A recomendação geral é não concentrar mais de 15-20% do patrimônio em CRIs e CRAs, devido à falta de cobertura do FGC e à baixa liquidez.

Dentro dessa alocação, diversifique:

  • Diferentes setores (imobiliário + agro)
  • Diferentes prazos (curto + médio + longo)
  • Diferentes indexadores (IPCA + CDI + pré-fixado)
  • Diferentes emissores/securitizadoras

Essa diversificação reduz o impacto de qualquer evento negativo em um título específico.

Perguntas Frequentes

CRI e CRA são investimentos seguros?

São mais arriscados que CDBs, LCIs e Tesouro Direto, pois não contam com FGC nem garantia do governo. Porém, títulos com bom rating (AA ou AAA) e garantias sólidas (alienação fiduciária de imóveis, por exemplo) têm risco relativamente controlado. O segredo é analisar cada emissão individualmente: verificar o rating, as garantias, o histórico do emissor e a qualidade dos recebíveis. CRIs e CRAs de grandes construtoras ou cooperativas agrícolas consolidadas tendem a ser mais seguros que emissões de empresas menores ou desconhecidas.

Posso vender CRI ou CRA antes do vencimento?

Sim, mas nem sempre é fácil ou vantajoso. O mercado secundário de CRIs e CRAs no Brasil é limitado. Sua corretora pode tentar encontrar um comprador, mas o preço pode ser inferior ao valor de face, especialmente se as taxas de mercado subiram desde a compra. Alguns títulos com maior volume de emissão e rating alto têm mais liquidez. A regra é: só invista em CRI/CRA com dinheiro que pode ficar travado até o vencimento.

Qual a diferença entre CRI/CRA e LCI/LCA?

A principal diferença é quem emite e a cobertura do FGC. LCI e LCA são emitidas por bancos e cobertas pelo FGC até R$ 250.000. CRI e CRA são emitidos por securitizadoras e não têm FGC. Em compensação, CRIs e CRAs geralmente oferecem taxas mais altas justamente por esse risco adicional. Outra diferença: LCI/LCA costumam ter prazos menores e mínimos de investimento menores. Ambos são isentos de IR para pessoa física.

CRIs e CRAs são bons para gerar renda mensal?

Sim, quando o título tem pagamento mensal de juros. Nesses casos, você recebe um valor fixo ou indexado todo mês na conta da corretora, funcionando como uma renda recorrente. Porém, é preciso ter um volume considerável investido para gerar renda relevante. Com R$ 100.000 em CRIs pagando IPCA + 7% ao ano com cupom mensal, a renda bruta seria de aproximadamente R$ 900-1.000 por mês. Para viver exclusivamente dessa renda, seria necessário um patrimônio bem maior.